Estamos vivendo em nosso país um profundo questionamento ético. As notícias sobre a atuação da Operação Lava Jato e as demais informações sobre corrupção, por um lado me enchem de esperança sobre mudanças no nosso jeito de interagir e se relacionar. Por outro, evidenciam tudo o que ainda temos que evoluir, como cidadãos e como sociedade, para nos tornarmos um povo mais ético e justo. Nesse sentido, a grande mudança que precisa ocorrer é passarmos a não praticar nem tolerar mais os chamados “pequenos delitos”, como furar uma fila através de uma amizade, por exemplo. Afinal, eles agridem a ética tanto quanto as atitudes dos que roubam milhões com a corrupção.

Nesse ponto o esporte tem muito a nos ensinar, especialmente o Tênis. Considerado um “esporte de damas e cavalheiros”, o tênis possui regras de conduta muito rígidas e sérias, em prol de um espetáculo onde quem vence será sempre aquele que obtiver o melhor desempenho. Quero aqui citar alguns exemplos.

Nos torneios internacionais os jogos contam com o juiz de cadeira, que é assessorado por juízes de linha para marcar as bolas que caem dentro ou fora da quadra. Para minimizar os erros dos juízes de linha, há ainda o desafio eletrônico, uma espécie de VAR do Tênis só que sem o árbitro de vídeo. Em torneios amadores ou mesmo nos “rachas” entre amigos, essa estrutura é impensável. E é aí que entra o exercício da ética, pois quem marca bola fora ou dentro é quem recebe o golpe, por estar mais perto da bola. Se ele não for ético, em várias vezes, poderá marcar bolas fora quando foram dentro para se beneficiar.

Outro exemplo, se você devolver uma bola, ela bater na rede e cair na quadra adversária, você deve pedir desculpas ao seu oponente. Muitos acham que isso é hipocrisia. Afinal você ganhou o ponto e é isso que interessa, não fazendo sentido pedir desculpas ao adversário. Na ética do Tênis (e deveria ser da vida), você deve vencer porque jogou melhor e foi capaz de superar seu companheiro de partida e não porque teve sorte. Afinal, não deve valer tudo para vencer, pois se assim for, retornaremos à barbárie.

No livro de regras do tênis, em nenhum lugar está dito que os adversários devem se cumprimentar logo após o fim da partida.

É muito importante estamos atentos para nossas atitudes (principalmente as pequenas) e o quanto elas estão contribuindo para vivermos um mundo mais ético e justo.

Carlos Eduardo Bandeira Araújo

Sócio e Consultor da Parceria Consultores

Especializado em BPM (Gerenciamento de Processos de Negócios) e Gestão Estratégica com mais de 20 anos de experiência.