O mundo contemporâneo é social e economicamente instável, impondo-nos que adaptemos, constantemente, nossa forma de pensar e de agir. Tal condição tem gerado um estado de profundo desequilíbrio, fazendo com que muitas pessoas permaneçam preocupadas e inseguras em relação ao futuro. Ao investirmos nossa energia em temer o futuro, criamos uma perigosa armadilha, pois trazemos o futuro para antes do agora. Assim, retornamos ao passado, reforçando ainda mais o objeto do nosso medo.  O famoso psicanalista Sigmund Freud já dizia, no século passado: “Você atrai tudo aquilo que mais teme!” Se não aprendermos a controlar a ansiedade e as preocupações, elas se apoderarão dos nossos pensamentos. Agindo dessa forma, restar-nos- á menos tempo e energia para tornarmos reais as maravilhosas oportunidades que certamente surgem em nosso caminho, e muitas vezes nos passam despercebidas. A palavra “lived”, cuja tradução para Português é “vivido”, escrita de trás para frente passa a ser lida como “devil”, que significa demônio. A leitura desse anagrama inglês nos proporciona concluir que, ao anteciparmos e temermos os acontecimentos futuros estamos fortalecendo os nossos demônios interiores.

As preocupações surgem quando a nossa imaginação nos faz vislumbrar conseqüências negativas de algo que ainda não aconteceu, levando-nos a um estado de alerta contínuo, como se um perigo eminente estivesse por vir a qualquer momento. Como decorrência, perdemos completamente o foco da situação que estamos vivenciando no presente. Ocorre que, na maioria das vezes, sofremos gratuitamente, pois muitos dos nossos medos não chegam a se concretizar, como escreveu o romancista norte-americano Mark Twain: “Eu sou um homem velho e conheci um grande número de preocupações, mas a maioria delas nunca aconteceu.” E, mesmo quando o objeto das preocupações se concretiza, o fato de tê-las alimentado não diminui o seu efeito. Ao contrário, tende a aumentá-lo, pois esse estado de “miopia” nos tira a condição de enxergarmos com clareza as oportunidades de resposta à situação que ora se apresenta, mantendo-nos em um estado de total paralisia.

Se em vez de nos preocuparmos com o que pode acontecer no futuro, nós nos ocupemos em fazer o que podemos fazer agora, estaremos respondendo às demandas da vida com a disciplina necessária para lograrmos êxito em nossas ações. Com isso, não pretendo desprezar a gravidade de eventuais problemas que venhamos a passar. No entanto, a condição necessária para resolvê-los da forma mais adequada, definitivamente, não é através da preocupação. Sugiro uma postura prudente e disciplinada para lidarmos com as adversidades do dia-a- dia. A palavra disciplina significa “ser discípulo de si mesmo”. Representa a capacidade de encararmos vida de frente, e agirmos sem precipitação diante os obstáculos. O homem prudente é atento não apenas ao que acontece, mas ao que pode acontecer. A prudência é uma virtude antecipadora, que determina o que é necessário escolher e o que é necessário evitar para que tenhamos um futuro mais promissor. É o prever e o prover andando juntos, em cada passo do caminho.

A vida não dá duas safras, pois o seu tempo não é provisório: ele é perene! Sempre que o vivenciamos por inteiro, sem a miopia futuro, estamos fortalecendo a nossa capacidade de responder aos chamados da vida com poder e integridade. Façamos, então, da nossa disciplina diária, a ocupação necessária para exorcizarmos nossos demônios, pois “quem não se ocupa, se preocupa”.

Luciano Esmeraldo Melo

Sócio e Consultor da Parceria Consultores

Especializado em desenvolvimento de pessoas, em educação corporativa e em otimização comercial.